Para os militantes do Movimento Estudantil, o ambiente de ilegalidade não é bem uma novidade. Mas, justiça seja feita, na década de 60 e 70 as organizações estudantis foram postas na clandestinidade por uma ditadura militar e, independente de tal movimento ser controlado hegemonicamente pela esquerda marxista, não se pode negar que os delitos de que eram acusados os militantes constituíam crimes políticos, não crimes comuns; sua ações eram ideológica e intelectualmente guiadas.

Naquele momento crítico da história do nosso país, em que a maior parte dos militantes e líderes estudantis ingressou em organizações de luta armada, suas ações, ou vergastavam o sistema ilegítimo vigente (crime político próprio); ou consistiam em crimes comuns – assalto a bancos, por exemplo – dotados de conotação político-ideológica (crime político impróprio). Havia até certo romantismo revolucionário que conferia a algumas figuras icônicas o status de heróis da rebeldia juvenil.

A certa altura, como a ditadura já não contava com apoio popular e até mesmo as elites começaram a dirigir duras críticas contra o governo militar, o Movimento Estudantil passou a gozar de certo prestígio social e influência na política nacional, principalmente quando, no final da década de 70, abandonando a luta armada, retomou o seu approach intelectual e acadêmico e se dedicou à pauta das liberdade políticas.

Ironicamente, porém, esses prestígio e relevância entraram em declínio justamente com a redemocratização do país, no final da década de 80, tendo um raro espasmo de importância no movimento “Fora, Collor”, no início da década de 90, e de lá até o início do governo do PT, em 2002, o discurso anacrônico e a estética cansada se encarregaram de jogar o Movimento Estudantil no ostracismo político.

Porém, com a ascensão da extrema-esquerda ao poder na primeira década do milênio, as organizações estudantis então convertidas a meros postos burocráticos de partidos socialistas nas escolas públicas e nas universidades, caíram nas graças do Estado e passaram a ser irrigados com recursos dos impostos para que desempenhassem uma função não tão digna como a de outrora, mas extremamente estratégica, qual seja, a formação de um exército político a serviço do governo.

Nisso, o Movimento Estudantil foi, como se vê hoje, muito bem-sucedido. Contudo, a soldo dos partidos governistas, os estudantes não poderiam mais representar uma massa crítica como antes, pelo contrário, haveriam de ser uma massa dócil ao comando hierárquico, disposta a lutar pela manutenção do status quo. Assim, a militância foi incentivada a abdicar do protagonismo intelectual, cabendo-lhe tão somente investir-se da capa estética da ideologia. E, hoje, uma massa ignara e supersticiosa, esteticamente caricata, que não consegue ir além de bordões ditados pelos patrões dos partidos de extrema-esquerda é o que sobrou da militância estudantil.

Apanhada nessa esparrela e caído o governo extremista que lhe sustentava, não é de causar espécie que grande parte dessa massa, eticamente débil e intelectualmente inepta, desvie da conduta ética com tanta facilidade em plena vigência do Estado Democrático de Direito. E como já não consegue atribuir um sentido mais profundo e racional às suas ações, nem mesmo conotação político-ideológica logra atribuir a seus atos contrários à lei.

E as ocupações de escolas e universidades que estão acontecendo atualmente demonstram isso de maneira muito clara. Inúmeras unidades educacionais foram invadidas por ordem das principais organizações estudantis em resposta ao afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff do governo. De fato, a ameaça de Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES, de que os estudantes iriam “colocar fogo no país para fazer oposição a Michel Temer” está sendo cumprida à risca.

E, colocar fogo no país, aí, é foi figura de linguagem. O animus beligerante do Movimento Estudantil tem se mostrado claro para além do campo das ideias. Pululam, na mídia, os relatos de vandalismo nas escolas invadidas. Com frequência computadores, equipamentos eletrônicos, armários, cadeiras e mesas são danificados e/ou furtados pelos invasores; há registro, inclusive, de incêndio de biblioteca em uma dessa invasões.

Os estudantes estão descambando para a violência sem propósito, sem significado político, para o puro vandalismo contra o patrimônio público e privado, isso quando não se aproveitam das invasões para o locupletamento pessoal. Para um exemplo concreto do que está ocorrendo, veja-se o que aconteceu na capital Gaúcha: alunos da Escola Estadual Erico Verissimo foram colocados sob medida protetiva pelo Juizado da Infância e da Juventude pela prática, durante ocupação estudantil de tal unidade educacional, de furto qualificado, dano ao patrimônio público e formação de quadrilha.

É já fato público e notório a ocorrência de crimes comuns de várias ordens no contexto das “ocupações” estudantis, devendo, ainda, por pertinência e por alerta, ser lembrado com pesar o trágico assassinato, há pouco mais de um mês, do adolescente Lucas Eduardo Araújo Mota, que contava apenas 16 anos quando foi morto por um colega, também adolescente, de 17 anos, numa briga por droga na Escola Estadual Santa Felicidade, que estava ocupada por estudantes em Curitiba.

Pior é que não há como deixar de registrar o paradoxo que sói ocorre nas escolas ocupadas, nas quais os alunos invasores conseguem impedir a entrada de adultos, funcionários, professores, pais e autoridades tutelares, mas não conseguem barrar a entrada de drogas, de bebidas e de bandidos!

Esse preocupante contexto se agravou com a adesão do Movimento Estudantil Universitário à onda de invasões. Segundo Carina Vitral, presidenta da União Nacional dos Estudantes, UNE, no uso do vocabulário belicoso que caracteriza atualmente os lideres estudantis, os universitários optaram “por um processo de radicalização da luta para barrar esses retrocessos do governo Temer”.

E, também, nas invasões universitárias tem sido comum o furto de computadores, equipamentos eletrônicos, objetos pessoais dos funcionários e a danificação de armários, cadeiras, mesas e portas, bem como, danos à estrutura e pichações nas paredes internas e fachadas externas dos prédios públicos das Instituições de Ensino Superior.

Exemplo icônico disso foi à invasão da Reitoria da USP em 01 de outubro de 2013 em que, segundo os funcionários da Universidade, foi constatado o “sumiço de materiais de escritório, computadores, objetos pessoais e arquivos de trabalho após a reintegração de posse ocorrida na terça-feira, dia 12 de novembro”. Além disso, também foram relatados arrombamentos, depredações e pichações. Segundo a Reitoria da USP o prejuízo contabilizado foi de R$2,4 milhões de reais.

Outrossim, já há registro de episódios de violência e depredação nas ocupações universitárias mais recentes. Em 20 de outubro deste ano, cerca de 50 estudantes quebraram as portas da reitoria da Universidade Federal de Ponta Grossa e expulsaram os funcionários do local. As imagens da invasão mostram a violência da turba. Por causa da ocupação, a administração da universidade divulgou uma nota informando que todas as atividades administrativas das pró-reitorias e órgãos suplementares lotados no prédio da Reitoria ficam impedidas de serem realizadas.

Já, no dia 04 de novembro deste mesmo ano, segundo relata o Tribuna PR “um grupo de pessoas mascaradas ocupou o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santo Andrade. De acordo com alunos, o grupo chegou ao Campus por volta das 22h30, no horário da saída de aula. Houve quebra-quebra e sobraram empurrões entre os alunos e esse grupo. A porta de entrada principal teve os vidros quebrados e alguns estudantes se cortaram”.

No dia 16, também do mês de novembro, foi a vez da Universidade de Brasília ser invadida por estudantes. O resultado, poucos minutos depois da invasão, foi “cadeiras quebradas e amontoadas bloqueando a passagem de portas, escadas e corredores; paredes rabiscadas; estátuas pichadas com símbolos feministas; adesivos e papéis colocados por toda a parte”; segundo o site Jornal Livre que também mostra um banco de imagens das marcas do vandalismo.

Enfim, esses são apenas alguns exemplos do que está acontecendo em todo país nas invasões de instituições de ensino articuladas pelo Movimento Estudantil, que demonstram claramente o fato de que a militância estudantil perdeu a capacidade de se fazer ouvir por argumentos e descambou para instauração de um ambiente de criminalidade e de que está a serviço dos partidos políticos de extrema-esquerda que não têm nenhum compromisso algum com as Instituições do Estado Democrático de Direito.

Fica, pois, o alerta aos pais e à sociedade.

http://educacao.uol.com.br/…/movimento-estudantil-o-foco-da…
https://luizmuller.com/…/estudantes-secundaristas-farao-ca…/
http://g1.globo.com/…/escola-estadual-ocupada-por-alunos-e-…
http://agenciabrasil.ebc.com.br/…/jovem-foi-morto-em-briga-…
http://oglobo.globo.com/…/pais-sao-impedidos-de-entrar-em-e…
http://www.tribunapr.com.br/…/bandidos-roubam-estudantes-d…/
http://www.jornaldocampus.usp.br/…/furtos-e-depredacoes-ma…/
http://catve.com/…/164811/video-mostra-momento-de-ocupacao-…
http://pr.ricmais.com.br/…/estudantes-depredam-predio-da-r…/
http://www.tribunapr.com.br/…/quebradeira-e-violencia-pred…/
https://jornalivre.com/…/minutos-apos-a-invasao-da-faculda…/