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Por?Sergio C. S. Silva

Uma singela postagem. Um casal de idosos carregando pesadas malas pelo centro de uma grande cidade. Parecem cansados e quando um solid?rio e bom ser humano chega ao lado deles para prestar sua solidariedade, todas as pessoas que est?o na cena revelam-se integrantes de um grupo, com camisetas iguais e buqu? de flores para enaltecer o gesto daquele ser altru?sta.

? certo que vivemos num mundo que parece n?o privilegiar a compaix?o e a fraternidade. A esperan?a que desperta em cada um dos que assistem a cena os faz pensar: “puxa vida, eu faria exatamente igual, eu ajudaria os velhinhos, eu sou do time do bem”. Mesmo que isso n?o seja a exata express?o da verdade, a cena ativa canais de bem estar naqueles que a?assistem, mas neste momento de extrema emotividade, vem a minha pergunta:

Qual a sua opini?o se nesta cena se tornasse evidente a tentativa de lhe vender um produto?

Sim, a rea??o dos espectadores em sua maioria seria de rep?dio, ou, no m?nimo de contrariedade pela inadequa??o do momento emocional, que chega a levar os mais insens?veis ?s l?grimas, com algo t?o material quanto a indu??o subliminar ? compra?de um produto. Obviamente n?o ? uma venda de balc?o, pois o produto n?o ser? entregue ali naquele momento, trata-se de uma esp?cie muito caracter?stica de propaganda, de afirma??o da imagem do produto no imagin?rio dos potenciais consumidores.

Ok, voc? pode dizer, mas o que h? de errado nisso? N?o vivemos num pa?s capitalista onde “a propaganda ? a alma do neg?cio”? A resposta ? curta, resume-se a uma palavra, mas com amplo significado: ?tica.

Para que a abordagem n?o se torne grosseira, os elementos de publicidade devem ser incorporados ao cen?rio, aparecendo displicentemente como que fosse um mero acaso estarem ali naquele momento t?o sublime. Para que ganhe efetividade, levando-se em conta que a exposi??o do consumidor se d? em um r?pido flash, ? necess?rio repeti-la, capturando assim a sua aten??o em uma impercept?vel, mas eficiente armadilha.

Um cl?ssico exemplo de propaganda subliminar vem do tempo em que ainda engatinh?vamos no entendimento do alcance da psicologia que envolve as artes?audio-visuais. Experi?ncias eram permitidas, pois antes delas nada existia em seu lugar. Esta propaganda subliminar promovia a venda de um refrigerante nas salas de cinemas. Como muitos sabem, o cinema trabalha com filmes em forma de pel?cula, constitu?dos por sequ?ncias de 24 “frames” por segundo, ou seja, 24 fotografias sequenciais por segundo, cada fotografia dessas chamada “fotograma”. A t?cnica era bastante simples: inserir um fotograma “alien?gena” na sequencia original. Neste caso do refrigerante, eram inseridas imagens de sol t?rrido, personagens suados e sedentos e finalmente a imagem refrescante do refrigerante bem gelado. O frame inserido no meio da sequencia de imagens surge durante 1/24 avo de segundo e conscientemente voc? n?o o percebe, entretanto seu c?rebro foi carimbado com aquela imagem e a interpreta como informa??o. Submetido a um problema, a sede, o c?rebro coloca-se em desconforto e quando surge a imagem do refrigerante gelado, Ahhhhhh, que al?vio, e uma fra??o de pessoas mais suscept?veis se levanta e vai ao bar do cinema comprar o seu refrigerante.

A quest?o??tica que se imp?e ? exatamente a impossibilidade de defesa do consumidor, algo como levar um tiro pelas costas, atingido sem saber como e nem o porqu?. Tanto no caso da cena altru?sta quanto no caso do cinema, as pessoas que foram expostas ?s imagens subliminares provavelmente n?o ter?o percebido tal exposi??o ao final da a??o. Mesmo se perceberem, especialmente no caso mais recente e mais sofisticado do primeiro exemplo, a implanta??o do elemento sugestivo ? t?o bem inserida no contexto, que o incauto expectador poder? ignorar ou at? refutar a ideia de ter sido ludibriado pela tentativa de um agente externo alterar a sua percep??o e o seu livre arb?trio.

Mas ent?o, o que determina o uso da propaganda subliminar, uma vez que ela ? feita para n?o ser percebida? Obviamente, o fator determinante ? a inten??o proposital de quem produziu o material em criar uma indu??o ou um refor?o positivo para a imagem do seu produto, seja este produto uma lata de refrigerante, ou um pol?tico em campanha eleitoral. Talvez especialistas possam falar de maneira t?cnica sobre o tempo de exposi??o da imagem inserida, o n?mero de repeti??es e outros detalhes, mas aqui n?o ? este o objetivo.

Entendo que quem melhor pode proteger a sociedade deste tipo de a??o imoral e anti?tica ? o pr?prio cidad?o comum, atento a tudo aquilo que ? exposto, principalmente naqueles momentos onde a surpresa e o inusitado estiverem presentes. A exemplo das t?cnicas de ilusionismo, a propaganda subliminar precisa distrair a aten??o da plateia para que a “m?gica” aconte?a e o truque funcione.

Entretanto, se este nosso “magico” for desmascarado por qualquer cidad?o atento, ? fundamental que se forme uma corrente de informa??o que esclare?a e alerte outras pessoas para a tentativa de indu??o, apontando os elementos que o levaram a esta convic??o. Suponho que a resposta natural que se tem do p?blico ao se evidenciar tais elementos ser? de ?ntima revolta, daquelas sentidas no est?mago, comum ao sentimento de “trai??o”. Acredito que, n?o raro, todo o esfor?o aplicado na elabora??o da fraude voltar? contra o pr?prio agente, atingindo um resultado diametralmente oposto ao pretendido.

Esta ? a verdadeira beleza de uma resposta direta da sociedade contra aqueles que tentaram subestim?-la. Neste caso, n?o depender de Lei ou de uma resposta institucional dos conselhos de auto-regulamenta??o ou mesmo da justi?a ter? o cond?o de criar uma contra-ofensiva instant?nea, muito mais forte e muito mais eficiente do que uma eventual multa, retrata??o ou penalidade que, provavelmente, ser? decretada depois de um grande estrago feito e irremedi?vel, como por exemplo, no caso de uma elei??o consumada de um canalha.

Reflita e fique atento. Em tempos de grande exposi??o a dezenas de audio-visuais diariamente atrav?s de redes sociais, compreender o verdadeiro sentido das publica??es a que voc? se exp?e pode ser a diferen?a de pensar com o seu intelecto ou ser parte de uma manipula??o abomin?vel onde infelizmente a palavra “v?tima” ser? escrita em sua testa.

Agora, reveja v?deo e repare na imagem de uma pol?tica associada ao mesmo?a partir do d?cimo segundo (click aqui).

Gleisi