Em junho de 2013, tive meu dia de Mídia Ninja, mas sem a parte boa que é o financiamento milionário de George Soros…

Desde o final da década de 80, difícil ter havido algum protesto contra o governo aqui em Fortaleza de que eu não tenha participado.

Naquele junho, não foi diferente, eu também estava lá. Aliás, eu acompanhei os protestos de 2013 “in loco”, em Fortaleza, Maceió, Aracaju e em São Paulo. Então o que estou falando aqui, não é de ouvir falar, é um testemunho em primeira pessoa.

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Pois bem, como todo mundo, nesses protestos notei a volta dos confrontos violentos com a polícia, todos eles invariavelmente terminavam em vandalismo e pancadaria. Curioso, comecei a observar com mais atenção e constatei que as manifestação não eram tão espontâneas quanto se alardeava na impressa.

De fato, sempre havia um discreto direcionamento das passeatas por um grupo de pessoas sem identificação, sem bandeiras ou camisetas partidárias, que determinava os rumos da multidão e a acompanhava de fora como a pastoreá-la.

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No dia 21 de junho de 2013, chegando bem cedo à concentração da passeata, na praça do Centro Cultural Dragão do Mar, observei quando de um carro pertencente a um sindicato desceram três homens de meia-idade que foram ter com o grupo de jovens que “lideravam” os protestos naquela tarde. Aproximei-me e ouvi as instruções de que a passeata teria que sair dali, ir até a Beira-mar e depois voltar para o Paço Municipal, no centro, onde fica a cede da Prefeitura.

Por conta disso, decidi acompanhar a passeata de fora, mais observando-a do que tomando parte dela. Dito e feito, “espontaneamente”, a multidão foi até a beira mar, pacífica e ordeiramente. Muitas famílias, crianças, um clima bem ameno, eu diria até convidativo.

Contudo, conforme a tarde ia caindo, o clima ia ficando mais tenso e a massa mais hostil. Com o cair da noite, já a caminho do Paço Municipal, praticamente, já não havia famílias. A maioria era de jovens com os rostos cobertos por camisas ou trapos.

A essa altura, o discurso já era explicitamente coordenado, bem assim, as ações. A maioria estava ali disposta ao enfrentamento. Era patente a animosidade em relação à polícia que observava tudo de longe, à porta da prefeitura. E a manifestação “expontânea e pacífica” do início, dera lugar a uma ação coordenada de enfrentamento iminente.

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A polícia se mantinha imóvel, porém de prontidão. Escudo perfilados, cacetetes, armas de bala de borrada e bombas de efeito moral à vista de todos. Havia c?es e uma pequena cavalaria também. A atitude era, sim, de demonstração de força, mas contida.

Nada disso parecia provocar qualquer temor na turba que se agitava cada vez mais. Fiquei muito receoso, mas a curiosidade que matou o gato estava a operar sobre mim sua força malígna.

Acompanhei até onde pude um grupo exaltado por uma rua secundária que dava, de repente, bem diante da tropa da polícia, onde houve os primeiros confrontos daquela noite. Nesse momento, eu saquei o celular e fiz algumas imagem. Veja:

Não são boas, nem mostram muito mais do que momentos antes e depois do confronto. Eu ainda não tinha feito o meu curso de cinegrafista de guerra, espero que me perdoem por isso. Mas, ainda assim, dá pra notar que as pessoas que enfrentaram a polícia não eram manifestantes pacíficos e que foram elas que avançaram em direção às tropas (sabe-se lá com que propósito, pois até hoje eu não consegui entender pelo que aquelas pessoas protestavam).
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Como sempre, a imprensa falou em uma minoria de vândalos, veja aqui. Nada mais longe da realidade. Ali, naquela hora, os vândalos eram a maioria e muito mais do que 40 indivíduos como afirmado na matéria do G1 aí do link. A reportagem é ruim, mas pelo menos o seu texto e o vídeo que tem nela confirmam o que eu estou dizendo, foram o vândalos que partiram para cima da polícia.

Bem, eu não estou querendo limpar a barra da polícia. Aliás, longe disso, jé é um hábito meu denunciar os abusos e a violência estatal, que na maioria das vezes é perpetrado pelo uso de seu braço armado que é a polícia.

Muito menos, estou condenando quem enfrenta a repressão policial. Eu acredito que o cidadão tem o direito legítimo de se defender da violência policial, inclusive, que todos tenham acesso aos meios de defesas equiparados aos das forças policiais, como armas sem restrição de calibre.

O que estou dizendo é que, naquele dia, os manifestantes não estavam se defendendo da polícia, não estavam fazendo um passeata pacífica. Eles, em verdade, estavam lá já dispostos não só a enfrentar a polícia, mas sim, a avançar sobre ela. Eles, vestidos para o combate, atacaram a tropa, com pedra, pau, coquetel molotov e tudo que poderiam achar pelo caminho.

E se algum deles se machucou, não era uma pobre vítima da opressão estatal, não era uma pobre vítima da violência policial. Era um vândalo violento e disposto a ferir e a matar qualquer um que lhe fosse contrário.

E, hoje, depois do “gópi”?

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Bem, sobre os enfrentamentos entre polícia e manifestantes contrários ao governo Temer, eu nada posso afirma de categórico, pois deles não tomo parte – não porque esse governo, que é a continuação do governo que caiu, não mereça uma oposição viril, mais é que dos hipócritas de esquerda não me acompanho.

Porém, pela experiência que tenho em protestos da esquerda desde muito antes de junho de 2013 – nas décadas de 80/90 fui militante do PCB e em seguida do PPS – tenho fortes motivos para acreditar que o que se passa está longe da narrativa oblíqua que a impressa e a esquerda tenta consignar, em que a policia está reprimindo protestos pacíficos e democráticos de manifestantes inofensivos.

Isso não faz o menor sentido.

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Veja que agora a imprensa repete aquela mesma narrativa sem sentido de 2013 – “protestos pacíficos que, magicamente, acabam em vandalismo”:

UOL – Após caminhada pacífica, protesto em SP acaba com bombas e vandalismo.

G1 – Manifestantes fazem ato contra Temer em SP; na dispersão, PM usa bombas – Protesto começou na Paulista e seguiu pacífico até o Largo da Batata.

 

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Aqui vídeos mostrando como eles agem, como são as manifestações pacífica.