J? contei essa hist?ria v?rias vezes, na minha timeline. At? j? relatei a mesma no site Liberzone, em novembro do ano passado, quando os petistas desistiram de negar a exist?ncia do esquema do Petrol?o e, na maior cara dura, passaram a dizer ?mas? mas? o PSDB ? ladr?o tamb?m!?

E sempre recorro a esse relato para ilustrar caricaturescamente a debilidade moral dos mandachuvas do PT e como funciona a cabe?a do idiota ?til militante manipulado por aqueles.

Vou contar novamente, pois, e a culpa ? do PT.

? que, caso n?o saibam, estou no ramo da advocacia h? quase 20 anos e, acreditem, v?-se de tudo nessa profiss?o. Da mais vil express?o da natureza humana, covardia, vilania, falsidade, at? as mais nobres atitudes de abnega??o, solidariedade e amor ao pr?ximo. Sim, tudo isso v?-se no f?rum, tudo redigido em papel A4, encadernado, numerado e? O mais das vezes, mofado. E muito mais se v?.

E, em meio a esse ?muito mais que se v??, est? o epis?dio que compartilho agora. No final da d?cada de 1990, numa cidade do interior de um dos estados em que atuo aqui no nordeste, l? onde o c?o perdeu as botas, a meio caminho entre lugar nenhum e a vastid?o, j? a uns 250 km do mar, que escaldava aos 39o, numa grande depress?o da plan?cie onde nem a caatinga vinga, esper?vamos eu, o preposto da empresa que eu representava de um lado e, de outro, a parte contr?ria e suas testemunhas. Bem no meio do hall de espera, entre n?s, um sargento Garcia, sonolento, de bucho estufado na farda rota da gloriosa Pol?cia Militar, fazia a seguran?a do velho pr?dio do f?rum da comarca. Quando falo velho, falo velho mesmo, era um pr?dio da gest?o de Dom Pedro II, que serviu durante quase 100 anos como cadeia municipal, de paredes com mais de meio metro de espessura e barras de ferro nas janelas que vazavam as paredes cor de ?mbar que se esfor?avam para parecer amarelas a 1,90 m do ch?o.

A audi?ncia havia sido marcada para as 11h, mas j? era perto das 12h30 quando se escutou um barulho, na verdade, um grande alarido, uma gritaria vinda de uma sala ao lado. Com o passar das fra??es de segundo que pareciam passar em c?mera lenta por conta do agu?ar dos canais de percep??o desencadeado pelo susto, percebeu-se tratar de uma violenta discuss?o ecoando pelos corredores em arco da antiga arquitetura de calabou?o. E, quando parecia que a coisa ia acalmar, a porta da sala de onde emanava o tropel ? aberta como num estouro, passando por ela e vindo dar c? ? onde est?vamos j? todos de p? procurando por onde escapar ?, justamente, os dois preclaros, honrados, doutos e ilustres Magistrados da Cidade, ?s turras, trocando mil e um ?elogios?, os mais cabeludos.

Mas a cena dantesca n?o poderia ter um cl?max mais inesperado do que o que teve. Quando todos esper?vamos que os brig?es se contivessem diante da plateia e recobrassem a compostura, um dos tais, espumando de ?dio, assaca contra o outro um: ?voc? ? um ladr?o!?. A essas alturas, os presentes j? acompanhavam a tudo como se a assistir uma partida de t?nis, acompanhando a bola de um lado para o outro e, depois dessa ?ltima raquetada, o que todos esperavam era uma rea??o fidalgamente indigna do ofendido, uma negativa en?rgica seguida da exig?ncia de pronta retrata??o ou, no m?nimo, condo?da demonstra??o de m?goa perante t?o p?rfida inj?ria. Mas que nada? J? jogando para a plateia, o injuriado se apruma, estufa o peito e revida: ?voc? tamb?m ? ladr?o!?. Hora em que chega a turma do ?deixa disso?, Dr. Promotor, Dr. Escriv?o, o pr?prio sargento Garcia, mas os ?nimos s? deram sinais de arrefecimento quando uma velha servidora do f?rum com ar de matrona veio at? o meio da bagun?a e falou algo em voz baixa para os incontidos.

Minha audi?ncia? Bem? Foi cancelada e nada mais tenho a relatar sobre o malsinado processo, al?m do fato de ele ter acabado em acordo antes da nova audi?ncia, para o meu al?vio.

E vejam como petistas, governistas et caterva se repetem. Depois de a presidenta investir contra o instituto da dela??o premiada, dizendo que n?o respeitava delator, referindo-se a Ricardo Pessoal, que a delatou no inqu?rito da opera??o lava-jato. Depois da milit?ncia e jornalistas chapa-branca passarem dias dizendo que n?o se pode confiar em bandido delator. Hoje, como Eduardo Cunha denunciado pelo Procurador Geral da Rep?blica com base no depoimento de outro delator, o que se v??

O ?bvio, pois eles s?o ?bvios!

Petistas voltando a dar cr?dito a delator e dizendo ?mas? mas? o Cunha ? ladr?o tamb?m!”?

Quer dizer, eles abdicam de negar o envolvimento de Dilma e Lula apontado pelo outro delator e, na maior cara-de-pau, festejam a queda de seu oponente ? vala na qual est?o enterrado at? o pesco?o com a mais putrefata lama da corrup??o e abje??o moral!