“Eu vi coisas que vocês nunca acreditariam. Naves de ataque em chamas perto da borda de Orion. Vi a luz do farol cintilar no escuro na Comporta Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva.” (Roy Batty)

Sérgio Faraco inicia sua obra “Lágrimas na chuva: Uma aventura na URSS” citando o clássico filme de ficção científica “Blade Runner”, o que explica de forma magistral a metáfora que intitula o livro de suas memórias de cujo relato urgia.  Indicação preciosa do querido Professor Oscar d’Alva, uma narrativa vívida, de estilo fluido e atrativo, é obra empolgante pra se ler de uma só “pestanada”. Fique com a resenha e boa leitura.

Resenha Comercial de Domínio Público:

“Como Arthur Rimbaud, Sergio Faraco teve sua temporada no inferno. Para que a história dela não fosse sepultada nos confins dos anos sessenta, desaparecendo no tempo como “lágrimas na chuva”, o escritor desceu aos porões da memória e construiu este livro tão sofrido quanto admirável. Em 1963, Faraco pertencia ao Partido Comunista Brasileiro. No final do ano, num dos programas do PCUS (Partido Comunista da União Soviética) para estrangeiros, foi convidado para estudar em Moscou, centro do poder da extinta URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Uma aventura enriquecedora, amarga e perigosa, que durou pouco mais de um ano. O fascínio de uma cultura riquíssima, a mesquinharia da política, a intolerância dos burocratas, os radicalismos insensatos e uma pungente história de amor compõem este painel que é um misto de relato de viagem e livro de memórias, a culminar num grande pesadelo. Depois de uma série de conflitos com chefetes políticos ligados aos partidos brasileiro e soviético, Faraco foi internado em regime de reclusão, sob pesada bateria de medicamentos, numa clínica de “reeducação”. Era este, na época, um procedimento de rotina em relação àqueles que se rebelavam contra o ultra-esquerdismo do Partido. Esse período dramático é narrado passo a passo.”