Um dos estratagemas correntes da propaganda goebbelsiano-petista ? a vitimiza??o pela imputa??o aos seus opositores de discurso de ?dio contra si; ? a cria??o do “antipetismo”.

Se voc? n?o concorda com o governo ? porque voc? ? ?antipetista?, ? porque voc?, independente de qualquer coisa, ? pessoalmente contr?rio ao PT e n?o ?s suas pr?ticas.

Com isso, joga-se todo e qualquer opositor no rol daquelas pessoas que n?o se at?m ?s ideias e ?s pr?ticas e que agem ?nica e exclusivamente com base em indisposi??es pessoais e passionais, ou mesmo, irracionais.

E como arremate da perf?dia ret?rica, os propagandistas associam tal ?indisposi??o meramente pessoal? ? luta de classe, querendo fazer crer que quem ? “contra o PT” ? contra o pobres; que, se ? “contra o PT”, ? porque n?o suporta ver a vida dos pobres melhorar.

Veja como exemplo do que falo o texto “Antipetismo, racismo e preconceito contra os pobres”, segundo o qual

O antipetismo ? um modo de fazer pol?tica que semeia ?dio e raiva. ? um biombo que esconde o racismo e o preconceito da classe dominante brasileira…” ?(Site Democracia Socialista, em 13.10.2014)

Nesse contexto de velhacaria ret?rica, os ide?logos petistas?desviam a discuss?o daquilo que realmente interessa ? ideias e pr?ticas ? fomentando e explorando o antagonismo social entre pobres e ricos, entre sudeste e nordeste do pa?s, entre o bem e o mal (supostamente…).

Mas a verdade ? que as pessoas, de esquerda ou de direita, n?o s?o contra o PT em si, n?o s?o contra o partido, mas sim, contra o que a sigla PT passou a significar em fun??o de pr?ticas e contradi??es desse partido.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra a corrup??o.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra a inefici?ncia.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra o desperd?cio.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra a irresponsabilidade.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra o aparelhamento do estado.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra a hipocrisia.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra o atraso.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra o clientelismo.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra a explora??o da pobreza.

As pessoas n?o s?o contra o Partido dos Trabalhadores, elas s?o contra o que o Partido dos Trabalhadores faz de errado.

A bem da verdade, n?o se pode excluir a exist?ncia de “antipetistas”, mas imputar indistintamente a?todas as pessoas que discordam das pr?ticas do PT essa pecha, como os propagandistas de plant?o o fazem, ? operar reducionismo malicioso e irrespons?vel e desviar das quest?es de m?rito que est?o postas, por meio do?subterf?gio vil da explora??o de antagonismos sociais.

EXERC?CIO COMPLEMENTAR?

Agora leia esse inspirado texto de Leandro Narloch para Veja, intitulado Manual do Blogueiro Chapa-Branca?e, em seguida, leia e compare com os seguintes textos de pasquins da subservi?ncia estatal para constatar o que digo. Segue o manual e os links para os blogs Chapa-Branca.

“Companheiro,

Como voc? deve ter visto pelos jornais, ou pelos coment?rios do porteiro, ou pelo panela?o dos vizinhos, a coisa t? feia. O ?ndice de satisfa??o dos brasileiros com o nosso governo est? uma m? medida abaixo do que desej?vamos. Neste momento de crise, ou melhor, de readequa??o passageira causada pela prolongada recess?o internacional, precisamos ainda mais dos seus esfor?os para desqualificar qualquer protesto contra a presidenta. Abaixo vai um pequeno manual de instru??es para facilitar sua tarefa. Bom trabalho!

1) Primeira regra e a mais importante: quem protesta contra n?s ? riquinho. Diga isso sempre. Sei l? por qu?, mas o povo costuma acreditar que ricos n?o t?m direito de protestar. Abra o texto dizendo logo que o?panela?o veio de?apartamentos de ?varanda gourmet??e?se restringiu a?bairros ricos,??Higien?polis e Leblon como s?mbolos?. N?o d? pra ter certeza que s? ricos protestaram, eu sei.?Mas ignore essa d?vida e insista at? o fim que somente os ricos??de barriga cheia??est?o insatisfeitos com o governo.

2) Vasculhe as not?cias at? achar algum ato do protesto que voc? possa interpretar como grosseria. Valem at? mesmo xingamentos leves, como aqueles que voc? usava contra o Collor ou o FHC. Pode soar?meio carola, mas problematize o epis?dio, exagere, se esforce para mostrar como esses xingamentos s?o o c?mulo do??desrespeito, m? educa??o, machismo, covardia?. Agindo assim, voc? estar? transformando?a presidente em v?tima. E o povo adora v?timas.

3)?N?o conte para ningu?m que a presidenta, fora das c?meras, xinga de estagi?rios a ministros a?cada tr?s segundos. E?que voc? n?o reclama quando os black blocs fazem protestos realmente violentos, botam?fogo em carros de emissoras?de TV ou usam fogos de artif?cio como armas.

4) Tome a parte pelo todo. Se um xinga, todos xingam. Se, numa passeata de 100 mil pessoas, duas pessoas erguem um cartaz a favor da ditadura militar, deixe bem claro para todos que voc? ? ?radicalmente contra aquela passeata que defendeu a volta dos militares?.

5) Seguindo os passos acima, voc? ter? preparado o terreno para enquadrar os opositores do governo numa categoria repulsiva. Agora ? s? arrematar o trabalho. Escreva que o protesto n?o foi contra o ajuste fiscal ou a corrup??o, mas simplesmente uma manifesta??o brutal de???dio coletivo da classe alta?,?elite branca? etc.

6) Ignore o fato de que o partido que se elegeu prometendo acabar com a corrup??o levou a corrup??o a n?veis assombrosos, que a cria??o de vagas de trabalho ? a menor em mais de uma d?cada, que a infla??o corre o risco de fechar em dois d?gitos, que a mis?ria extrema voltou a subir, a classe m?dia paga col?gio particular?e impostos escandinavos, que os pa?ses vizinhos est?o crescendo mais que o Brasil, que a presidente esculhambou o duramente conquistado equil?brio das contas p?blicas e depois deu desculpas esfarrapadas sobre a crise econ?mica.

7) Ignore, enfim, qualquer possibilidade de sensatez dos manifestantes. Jamais tente entender os motivos e as exig?ncias do protesto. Seria generosidade intelectual demais.”