Essa falácia é muito convincente, pois reveste-se da aparência de uma inferência formal e apresenta a seguinte estrutura:

Se A, então B; B; logo, A

O que vale dizer:

Se

A implica B

E

B é verdade

logo

A é verdade

Em que a proposição inicial “A implica B” é uma proposição condicional arbitrária, ou seja, a implicação daí tirada não é racionalmente fundamentada.

Veja-se o seguinte exemplo:

Se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural (A), haveria ordem e organização em todo lugar (B). E o que se vê é ordem em todo lugar (B), então é óbvio que o universo teve um criador (A). [1]

Se

O universo tivesse sido criado por Deus (A), haveria ordem e organização em todo lugar (B).

E

o que se vê é ordem em todo lugar (B);

Então

é óbvio que o universo teve um criador (A). [2]

Da implicação condicional arbitrária inicial “se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural (a), haveria ordem e organização em todo lugar (B)”, cria-se uma falsa fundamentação de que “é óbvio que o universo teve um criador (A)” pelo fato de que “o que se vê é ordem em todo lugar (B)” eventualmente ser verdade.

Mas quem disse quem pode afirmar categoricamente e sob qual fundamento que “se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural (a), haveria ordem e organização em todo lugar (B)”?

Eis a falácia que é “quase” uma petição de princípio.

[1] http://ceticismo.net/ceticismo/logica-falacias/

[2] http://ceticismo.net/ceticismo/logica-falacias/